Amigos do Fingidor

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Verbo livrar


Pedro Lucas Lindoso


Sou de uma família de “apaixonados por livros”. Meu pai, José Lindoso, costumava ir frequentemente às livrarias. Principalmente, aos sábados pela manhã. Morávamos na Rua Henrique Martins. As principais livrarias de Manaus ficavam na nossa rua, depois da Avenida Eduardo Ribeiro. Lembro-me especialmente da Livraria Acadêmica.
Meu irmão mais velho foi editor e presidiu a Câmara Brasileira do Livro.
Nossa casa abrigou várias bibliotecas. Mas nunca foram devidamente sistematizadas. Os livros de Direito costumam ficar desatualizados. Entre mudanças, empréstimos, pequenos “furtos” e doações, muitos livros se perderam.
Durante muito tempo, meu quarto abrigou parte da biblioteca de meu pai. Adolescente, convivi com o Tratado de Direito Privado, de Pontes de Miranda, rente à minha cama. José Lindoso foi professor de Direito Civil na Velha Jaqueira, antiga Faculdade de Direito do Amazonas.
Vivi e vivo entre livros. Não seria feliz se tivesse nascido na Idade Média, antes de Gutemberg. Para mim, o maior e mais importante inventor da Humanidade.
Geoffrey Chaucer – magnífico escritor e filósofo inglês do século XIV. Muito lembrado pela sua obra Os Contos de Canterbury (The Canterbury Tales, em inglês). Clássico da literatura inglesa medieval. O personagem Monge, um dos meus preferidos, tinha muito orgulho de sua biblioteca. A maior de todas! Seis livros!
Minha neta Maria Luísa, com dois anos de idade, tem no mínimo o dobro de livros do monge medieval de Chaucer. Sem contar diversos livros de plástico, para leitura no banho e na piscina.
E adora seus livrinhos. E já os identifica. Eu quero o do sapo. O do botinho. O do Jacaré. E pede: vem vovô, vamos livrar!
Maria Luísa criou um neologismo. O verbo livrar. Com apenas dois anos e já contribuiu imensamente com a Língua Portuguesa.
O neologismo é a criação de uma palavra nova. Pode ser fruto de um comportamento espontâneo. Foi assim que Maria Luísa criou o verbo livrar. Espontaneamente. Criar neologismos é uma habilidade inata e própria do ser humano e da linguagem.
 Numa época em que se lê no computador, tabletes e mensagens no celular, precisava-se de um verbo envolvendo o livro físico de papel.
Que maravilha. Temos agora o verbo livrar. Transitivo direto. Significa ler e gostar de livros de papel. Acho que essa garotinha merece o Prêmio Camões de Língua Portuguesa ou o Jabuti!
Verbo livrar! Esse é ótimo! Livrar é mesmo muito bom.


domingo, 21 de janeiro de 2018

Manaus, amor e memória CCCLII


Rua Saldanha Marinho, em 1890, por Huebner.

sábado, 20 de janeiro de 2018

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Paisagens Mortas 7





















Texto e fotos: Zemaria Pinto.

Mentira e fraude acadêmica 2/2


João Bosco Botelho


Nos países, onde a mentira acadêmica é insuportável, as autoridades públicas fazem questão de mostrar ao mundo que, sob nenhuma circunstância, compactuam com a fraude dentro ou fora dos muros universitários.
Na dissertação de mestrado, na Universidade de Uberaba, em 2012, “Fraude acadêmica: uma análise ético-legislativa”, a Profa. François Silva Ramos estabeleceu o conceito: “O termo fraude, no Direito Tributário, deriva do latim fraus, fraudis, que significa engano, má-fé, logro. A terminologia serve, portanto, para caracterizar o engano malicioso ou a ação astuciosa, que, é importante registrar, ocorre de má-fé, para permitir o ocultamento da verdade ou a fuga ao cumprimento da obrigação”.
A amplitude da fraude acadêmica é muito extensa e diversificada: divulgação de mentira em relação a qualquer atividade dentro ou fora do muro universitário, não só do conteúdo, mas também do local onde ocorreu o evento.
A professora-doutora Lívia Haygert Pithan, da PUC-RS, e a acadêmica de Direito Tatiane Regina Amando Vidal, publicaram na revista Direito & Justiça, em 2013, o trabalho “O plágio acadêmico como um problema ético, jurídico e pedagógico”. Nesse texto, as autoras acordam que existem na Lei de Direitos Autorais instrumentos para fiscalizar e punir os fraudadores: toda citação importa, obrigatoriamente, a indicação de autoria e local da publicação das obras citadas.
A desobediência dessa âncora ética na construção do trabalho acadêmico resultou na cassação dos doutorados, acima referidos, em diferentes países.
As universidades no mundo abominam a mentira, o plágio, enfim, a fraude acadêmica!
Entre as mais importantes nessa resistência é a antiga Sorbonne. A belíssima universidade, situada no Quartier Latin, tem o nome em memória ao teólogo Roberto de Sorbon, fundador do Colégio Sorbonne, em 1257. Após a reforma universitária, de 1970, parte da resposta governamental às revoltas estudantis, em maio de 1968, a Sorbonne foi dividida em treze universidades autônomas. Quatro delas mantém o nome Sorbonne: Paris I (Panthéon Sorbonne), Paris III (Sorbonne Nouvelle), Paris IV (Paris Sorbonne) e Paris V (Paris Descartes).
Oferecer notícias mentirosas à mídia acerca da própria produção acadêmica ou não desmenti-las, quando publicadas equivocadamente, é igualmente grave fraude acadêmica e atenta mortalmente contra a estrutura que moldou as universidades no mundo.
Desde os primeiros núcleos do ensino universitário, no século 11, na França e na Itália, os professores e os administradores nunca fecharam os olhos à mentira.
Em verdade, a universidade abomina a fraude!

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Banho de chuva


Pedro Lucas Lindoso


É verão no Sudeste. Em janeiro e fevereiro o calor no Rio de Janeiro compete com o nosso de agosto e setembro. Enquanto nessa época de início de ano por aqui temos chuvas. E muita. É o inverno amazônico. As cheias para este ano prometem. As praias começam a sumir e o ribeirinho se prepara para a cheia dos rios.
E chove. Fui menino numa cidade pacata. Havia poucos carros na Manaus dos anos sessenta. E como era gostoso tomar banho de chuva. Nas ruas do centro. Ruas de paralelepípedos.
Ontem mesmo desci para a área externa do condomínio para tomar banho de chuva. A piscina era só um pretexto.
 Meninos de minha geração tinham limites. Tínhamos hora para tudo. Até para dormir, por exemplo. Nove horas. Tomávamos a benção. Escovar os dentes e dormir. Não havia TV. A luz vinha de um gerador barulhento que funcionava até as dez da noite. Para ficar acordado até mais tarde era preciso ter autorização.
 Para tomar banho de chuva também era preciso pedir permissão. Às vezes era proibido. Podíamos ficar gripados ou com tosse. Se a gente não obedecesse e ficasse doente, era peia na certa.
Interessante é que quando se tomava banho de chuva escondido, raramente se ficava doente. A gripe só vinha quando o banho era legitimamente autorizado.
Ah! Os banhos de chuva de minha infância! A água escorrendo no rosto suado. A correria no pátio de nossa casa na Henrique Martins. O quintal de minha vó na Vila Municipal. Chuva amazônica tem pingo grosso, generoso.
Outro dia li um belo poema divertido e encantador, escrito em português e espanhol. “Quando chove a cântaros”. Nele a chuva lava a alma e faz brotar a esperança. A terra quase se mistura com o céu. É assim que acontece com as nossas chuvas amazônicas.
Em Brasília os meninos não iam para rua tomar banho de chuva. A chuva às vezes era até grossa, mas nunca com os nossos abundantes pingos. Muitas vezes chovia fininho, o dia inteiro. Chuva triste, sem graça. Chuva seca, como é seco o clima do Planalto Central.
Quando chove muito, em Inglês se diz: It is raining cats and dogs! Em uma tradução literal, seria “Está chovendo gatos e cachorros” Chovendo muito! A mitologia dos povos nórdicos associa os cachorros aos ventos. Por alguma razão que desconheço os gatos remetem às fortes chuvas.
Aqui usamos a expressão “Chovendo canivetes”. Eu gosto muito de “quando chove a cântaros”. Fica bonito também em espanhol – “cuando llueve a cantaros”.

Mas o que eu gosto mesmo é de nossa chuva amazônica. De banho de chuva!

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Academia Amazonense de Letras empossa nova diretoria




Na última sexta-feira, 12, tomou posse na AAL, em sessão simples mas repleta de simbolismo, a diretoria eleita na Assembleia Geral realizada a 16 de dezembro.

Com o presidente eleito, Robério Braga, viajando, tomou posse formalmente o vice-presidente Marcus Barros.

Em 100 anos de existência, a AAL teve apenas 19 presidentes. Robério Braga assume pela terceira vez, para um mandato de dois anos.

Marcus Barros recebe de Rosa Brito a presidência da AAL.
Acadêmicos presentes à transmissão de cargo.


domingo, 14 de janeiro de 2018

sábado, 13 de janeiro de 2018

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Paisagens Mortas 6
















Texto e fotos: Zemaria Pinto.

Mentira e fraude acadêmica 1/2


João Bosco Botelho

    
De modo geral, em maior ou menor escala, a mentira faz parte da estrutura social humana. Não é à toa que a Bíblia mantém censura aos mentirosos e à mentira (Levítico 19:11, Provérbios 6:17, João 14:16).
Importantes filósofos trataram do tema. Platão, por exemplo, no genial diálogo “Sobre a Mentira e Sobre a Inspiração poética” (Hípias Menor e Íon), onde Sócrates e Hípias examinam a importância de saber mentir. Aristóteles (384-322 a.C.) só creditava dois tipos de mentira: diminuindo ou aumentando uma verdade, enquanto Santo Agostinho, no século 4, descreveu seis características da mentira: malefício a alguém, mas é útil a outro; prejudica sem beneficiar ninguém; prazer de mentir; diverte alguém; a que leva ao erro religioso; “boa mentira”, que salva a vida de uma pessoa.
As evidências apontam diferentes tipos de mentiras. Uma das reconhecidas é a criança que mente com a intenção de proteger-se do eventual castigo ou impondo falsa acusação ao irmão, para vê-lo castigado e atenuando o próprio ciúme. Apesar de não haver parâmetro etário para que a criança interrompa as mentiras, a censura familiar exerce influência para que valorize a verdade.
A psicóloga paulista Maria Helena de Brito Izzo afirma: “Num país como o Brasil, em que a impunidade corre solta, mesmo um adulto pode não ver mal algum em mentir”. Essa circunstância sociopolítica agregada à ausência da censura familiar, pode agravar o quadro doentio, tornando o núcleo familiar compulsivamente mentiroso: todos mentem o tempo todo, e, pior, acreditam nas mentiras.
Os estudos experimentais evidenciam que os mentirosos se comportam de modos semelhantes: escondem as mãos, involuntariamente, retiram as mãos de cena, colocando-as nos bolsos; alisam a face e encobrem a boca. Esse conjunto gestual está ligado às mudanças fisiológicas que ocorrem no corpo durante a linguagem oral mentirosa, assinaladas pelo detector de mentiras: a respiração altera-se, inicia a taquicardia e aumenta o suor.
A mentira ampara e reproduz a fraude acadêmica!
As consequências sociopolíticas da fraude acadêmica podem assumir diferentes gravidades: desde comprometer a vida de milhares de pessoas até destruir a formação moral de pessoas.
É conhecido o episódio, em abril de 2013, quando o jornal The New York Times publicou a história do pesquisador Diederik Stapel, reconhecido psicólogo social holandês, que havia falsificado os resultados de determinada pesquisa durante dez anos.
Em outra fraude acadêmica, o pesquisador britânico Andrew Wakefield, em 1998, foi acusado de fraudar um estudo publicado, em 1998, no qual relacionava o autismo à vacina tríplice viral. Uma vez comprovado o desvio acadêmico, Wakefield não só teve sua pesquisa retratada como perdeu sua licença médica. Em consequência, milhares de famílias temerosas, não vacinaram os filhos, aumentando a possibilidade de exposição às doenças.
Em março de 2011, ficou mundialmente conhecida a fraude acadêmica do ministro alemão da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg, de 39 anos, que solicitou demissão após ter sido acusado de plágio na sua tese de doutorado. Guttenberg ficou sem seu título de doutor em Direito, anunciado pelo presidente da instituição bávara, Rüdiger Bormann: "A Universidade de Bayreuth retira do Sr. zu Guttenberg o título do doutorado. A tese não correspondeu a um trabalho científico correto".
Em abril de 2012, o plágio na tese de doutorado determinou a renúncia do presidente da Hungria, Pál Schmitt, também com a perda do título de doutor, pela Faculdade de Medicina da Universidade Semmelweis de Budapeste.


quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

2018 – Copa do Mundo na Rússia


Pedro Lucas Lindoso


Recebi um simpático e-mail de um antigo colega de colégio. Estudamos juntos em Brasília. Meu amigo é jornalista e atualmente trabalha na seção de esportes de um conceituado jornal carioca. O motivo do e-mail era para me dizer que havia reencontrado nossa colega Margarida, hoje cidadã russa e feliz moradora da cidade de Moscou. Casou-se com um ex-diplomata russo que serviu na embaixada de Brasília.
Só mesmo um russo casaria com a Margarida! A garota era até bem simpática. Mas muito distraída, coitada. Era vitima de bullying, mas nem ligava. E não se intimidava em fazer as perguntas mais absurdas em sala de aula. Lembro-me de duas inesquecíveis:
– Mas professora, quem tocou mesmo fogo nesse vulcão?
– Quem foi mesmo esse tal de Barroco Mineiro?
Nosso amigo foi cobrir o sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2018. Foi no início de dezembro.  Disse-me que o jogo de abertura entre russos e sauditas será no dia 14 de junho em Moscou. Espera-se que não esteja tão frio como agora. A seleção brasileira caiu no Grupo E. Faz sua estreia no dia 17 de junho, em Rostov, contra a Suíça.
Margarida e o esposo, que fala razoavelmente bem o português, estavam na cerimônia. Ela reconheceu o nosso colega. Foi informada que eu estava morando em Manaus. Perguntou se eu tinha me adaptado à vida na selva amazônica! Margarida sendo Margarida!
Nossa colega e o esposo estão muito animados com a copa do mundo. A seleção brasileira, depois de pegar a Costa Rica no dia 22 de junho, em São Petersburgo, fecha a primeira fase contra a Sérvia, em Moscou, dia 27 de junho. Já estamos todos convidados para uma feijoada na casa de Margarida em Moscou!
Vamos torcer para o Brasil ser campeão. Quem sabe vamos comer a feijoada da Margarida na Rússia. E ouvi-la tocar balalaica.   A outra novidade é que nossa amiga Margarida aprendeu a tocar esse instrumento musical típico russo de três cordas dedilhadas.
É muita novidade. Só mesmo indo conferir in loco! Vamos a Moscou!


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Os 100 anos da Academia Amazonense de Letras


Zemaria Pinto


Em novembro de 2005, em uma palestra na AAL sobre o fundador da Cadeira nº 21, Octavio Sarmento, eu apontava, de três fontes diferentes, três datas para a fundação da Sociedade Amazonense de Homens de Letras, que em 1920 mudaria para o nome atual, sem distinção de gênero: 1º, 7 e 17 de janeiro de 1918.[1]
Em outra palestra, em outubro do ano seguinte, sobre o fundador da Cadeira nº 24, Paulo Eleutherio, eu esclarecia de uma vez essa dúvida, a partir da leitura do jornal A Capital: a instalação solene da SAHL dera-se no dia 9 de janeiro de 1918, uma quarta-feira, às 20h, no salão nobre da Assembleia Legislativa do Estado, que funcionava nos altos da Biblioteca Pública – Barroso com 7 de Setembro. Dos 30 “homens de letras” que compunham a sociedade, apenas 20 compareceram à solenidade.[2]
E por que, então, se insiste na data de 1º de janeiro?
Ora, quem de vocês – cara leitora, caro leitor – não conhece pelo menos um caso de data de nascimento trocada, ou por equívoco dos declarantes ou por erro do cartório?
Casa de Adriano Jorge,
na rua Ramos Ferreira, 1009 - esquina com Tapajós.


Dez anos após a segunda pesquisa, buscando informações sobre Nunes Pereira – que iriam resultar no opúsculo Nunes Pereira, esboço em cinza e sombras – encontrei, novamente em A Capital, mais detalhes sobre a fundação da SAHL, que, certamente, serão tema de um texto mais amplo. Limito-me agora a dar algumas informações adicionais e tirar uma conclusão.
A primeira reunião aconteceu no dia 9 de dezembro de 1917. O jornal do dia anterior relaciona 25 nomes e diz que aquela será a “reunião de fundação da Sociedade Amazonense de Homens de Letras”.
No dia 12 de dezembro, A Capital informa que “a festa de instalação será a 1º de Janeiro, no Teatro Amazonas”.
Na edição de 14 de dezembro, o mesmo jornal noticia que os Estatutos serão apresentados no domingo, 16.12, “à assembleia geral” da entidade.
Infelizmente, entre os dias 14.12 e 06.01, não há qualquer informação sobre a nascente SAHL. No dia 1º de janeiro, entretanto, noticia-se, sem mencionar o horário, que será levada à cena do Teatro Amazonas, pela terceira vez, a “brilhante peça literária de Coelho Netto, A Pastoral”.
Nada, absolutamente nada, aconteceu no dia 1º de janeiro.
Terá havido um prosaico desencontro de agendas? O uso do teatro fora vetado? Provavelmente, jamais saberemos.
O que ficou é que, conforme o Estatuto datado de 29 de março de 1920, publicado na Revista da AAL Nº 1, em julho daquele ano, a SAHL – que daquele dia em diante se chamaria Academia Amazonense de Letras – fora fundada em 1º de janeiro de 1918. É, portanto, a certidão de nascimento da AAL.[3]
Mas que ela nasceu mesmo foi no dia 9 de janeiro, isso ninguém mais me desmente.
E uma curiosidade: a Sociedade, que nasceu misógina e só viria aceitar uma mulher – Violeta Branca – em 1949, completa 100 anos tendo uma mulher, a primeira, como presidente – a educadora, filósofa e historiadora Rosa Mendonça de Brito.
Longa vida à Academia Amazonense de Letras – de todos os gêneros!






[1] PINTO, Zemaria. Octávio Sarmento. Revista da Academia Amazonense de Letras, nº 27. Manaus: Valer e AAL, 2007. p. 247-268.
[2] PINTO, Zemaria. Paulo Eleuthério. Revista da Academia Amazonense de Letras, nº 29. Manaus: Valer e AAL, 2010. p. 37-49.
[3] A AAL acaba de publicar, em edição fac-símile, a referida revista. Se eu fosse um lobo da estepe, diria que é uma edição só para raros...


domingo, 7 de janeiro de 2018

sábado, 6 de janeiro de 2018

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Paisagens Mortas 5


A dualidade da água: mata enquanto fertiliza.
















Texto e fotos: Zemaria Pinto.

Práticas de curas ancestrais 2/2


João Bosco Botelho


A maior parte das lesões encontradas representa doenças de origem traumática, talvez secundárias aos acidentes de caça e disputas pessoais. As lesões traumáticas cranianas são as mais comuns. Em sítio arqueológico próximo de Pequim, um grupo de onze indivíduos do grupo de Java, quatro crânios apresentaram perfurações traumáticas fatais. Em outra área de escavação, os restos mortais de uma família do Paleolítico Superior composta de sete pessoas, o mais velho apresenta fratura com depressão do temporal esquerdo, a mulher adulta tem fratura parietal esquerda e os outros crânios, pertencentes a crianças de diferentes idades, mostram traumatismos mortais na cabeça. No sítio mesolítico de Ofnet, na Áustria, foram desenterrados trinta e seis crânios, na maioria de crianças, todos arrancados dos corpos e, na maioria, com esmagamento dos ossos parietais provocados por objeto cortante. Outros esqueletos foram estudados com pontas de sílex encravadas em diferentes ossos.
Os moradores das cavernas, muito úmidas, nos longos períodos invernais, com mais de cem mil anos, sofreram os processos degenerativos causados pela artrite deformadora, conhecida como gota das cavernas, e doenças das gengivas, cáries e raquitismo. As bactérias fossilizadas e fungos também foram identificados: o pólen de Nenúfar, designação de diversas plantas da família das Ninfeáceas, capazes de determinar reação alérgica no homem atual, existe desde o Pleistoceno médio, isto é, há mais de 100.000 anos.
Um dos achados acidentais mais extraordinários foi o homem batizado de Ötzi: o corpo congelado, ao sul da fronteira austríaco-italiana. Com pouco menos de 1,60 metros e 46 anos de idade, velho para as pessoas da época, o estudo do DNA evidenciou que era originário da Europa central. O cadáver mostrava várias lesões traumáticas com fraturas na terceira e quarta vértebras e o braço esquerdo quebrado. Ötzi estava numa posição estranha, caído de bruços sobre o rochedo, o braço esquerdo dobrado para o lado direito, e a mão direita presa embaixo de uma pedra grande. Seus objetos e roupas, também inteira ou parcialmente congelados, estavam espalhados a sua volta, alguns a vários metros de distância. Datações de carbono do material vegetal junto ao corpo e das amostras da pele e dos ossos, realizadas em três laboratórios diferentes, confirmam que ele viveu há cerca de 5.300 anos.

Dessa forma, não há dúvida de que os nossos ancestrais longínquos estabeleceram práticas indicando haver especialistas cuidando da saúde dos outros. 

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Fantasy Art - Galeria


Selene, Guardian of the Sanctuary.
Clyde Caldwell.


terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Papo de Papai Noel


Pedro Lucas Lindoso


O Natal passou. Tomo um taxi e o taxista me surpreende ao dizer:
– Sua netinha é muito bonitinha e simpática. O senhor não me reconheceu. Eu estava de Papai Noel.
Eu também tenho uma fantasia de Noel. Foi usada algumas poucas vezes em eventos de família e em festas de fim de ano entre colegas de trabalho. Todo gordinho é sondado para ser Papai Noel e rei Momo. Minha experiência ficou restrita ao Natal. E até me diverti nas poucas vezes que fiz o papel.
Neste ano, considerei a possibilidade de vestir-me novamente. O objetivo era agradar a minha netinha Maria Luísa. Ocorre que o taxista não foi o único papai Noel ao qual ela foi apresentada.
Maria Luísa é muito viva e esperta. A família começou a achar que ela notou que um papai Noel era diferente de outro. O do shopping A era diferente do shopping B, que era mais gordo do que o da festa do bairro.
Caso ela me reconhecesse, poderia ficar confusa. Eu sou o vovô Pedro. Não quero concorrência com o papai Noel. A ideia foi abortada. Eu fui somente o vovô mesmo, de quem ela recebeu presentes.
Relatei isso ao taxista. Ele me contou que uma criança veio perguntar-lhe se ele existia mesmo. O garotinho, de uns sete anos, argumentou que seu irmão mais velho havia dito que papai Noel não existe. Mas que seus pais continuavam afirmando que Papai Noel existe, sim.
– Afinal, contou-me o taxista Papai Noel, o curumim queria saber se eu era de mentira ou de verdade. Eu lhe disse que existia, sim. Afinal ele estava falando comigo! Perguntei-lhe o que ele queria ganhar de presente. No que o garoto respondeu:
– Então você não leu minha cartinha! Eu vou repetir: Eu quero um iphone novo, viu? Espero que o senhor seja de verdade e traga meu presente.
Eu ri muito da história. Será que o menino ganhou o iphone?
O Papai Noel taxista acredita que sim. Ele já usava um iphone. Por sinal bem moderno.
E complementou:
– Nesse mesmo dia eu ouvi no Jornal Bom Dia, Brasil que crianças do sertão nordestino pediram água potável do Papai Noel.
Crianças de Brasis diferentes, com necessidades e desejos tão diferentes!


domingo, 31 de dezembro de 2017

sábado, 30 de dezembro de 2017

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Paisagens mortas 4


O apuizeiro tortura até a morte.
A seringueira sangra pelo homem.
As folhas mortas alimentam o velho tronco,
prolongam-no,
revitalizam-no.
Os restos das águas criam formas.
Até onde as águas vão?
Onde passam levam a vida.
Onde passam deixam a morte.













Texto e fotos: Zemaria Pinto

Práticas de curas ancestrais 1/2


João Bosco Botelho
   

Os registros arqueológicos mostram-se suficientes para estabelecer algumas relações concretas da ação curadora na pré-história.
É provável que grande parte da atenção das comunidades pré-históricas permanecesse na busca da sobrevivência cotidiana e na explicação dos fenômenos naturais. As relações vida-morte e saúde-doença deveriam estar entre elas, já que interferiam na segurança pessoal e coletiva. Esses fatos poderiam ter provocado a especialização de alguns membros.
As ações para curar a dor e impedir a morte imediata, na pré-história, compreendem as ações dos ancestrais para aumentar os limites da vida e empurrar a inexorabilidade da morte, muitos milhares de anos antes da escrita.
Alguns fósseis neandertalenses, em torno de 30.000 anos, no Pleistoceno superior, evidenciam traços de amputações dos membros.
As análises desses registros fornecem indícios à compreensão de algumas ações curadoras do homem pré-histórico. Sem dúvida, os ancestrais sofreram de algumas doenças semelhantes às da atualidade. A tuberculose óssea na coluna vertebral, encontrada hoje no Brasil, está documentada no esqueleto do período Neolítico, em torno de 10.000.
Ainda mais fascinante, o fêmur de Homo Erectus, com mais de 200.000 anos, com tumor ósseo medindo quatro centímetros de diâmetro.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Fantasy Art - Galeria


Luxúria- esboço.
Marta Dahlig.